Todos os artigos de

Chico Ornellas

Mogi de A a Z

Você morou na Avenida?

20 de dezembro de 2021

Parece impossível que a Avenida Voluntário Fernando Pinheiro Franco, aquela que vai da Praça Firmina Santana até a Praça dos Imigrantes, um dia tenha sido via de aprazíveis chácaras. Pois foi, precisamente até o dia 5 de maio de 1928, data de inauguração da Estrada Velha São Paulo-Rio. Sobreviveu como via residencial ainda por 40 anos, mas já não era a mesma coisa. A Pinheiro Franco era, então, mera passagem para os poucos veículos que se utilizavam, no início, da Estrada Velha. Isso durou 22 anos, quando foi inaugurada (1950) a Via Dutra. E a Pinheiro Franco voltou a ser uma via urbana. Datam daí as melhores residências que ela abrigava. Vamos a um passeio, com as falhas naturais que a memória impõe. Partindo da Praça Firmina Santana, a direita de quem segue em direção à…

Sem coluna

Uriel Gaspar dos Santos Pereira

4 de novembro de 2021

Nem procure, será perda de tempo. Mas, com esforço, dá para reconstituir boa parte da trajetória do mogiano que, fora daqui, mais empreendeu na primeira metade do século passado. Seu nome: Uriel Gaspar dos Santos Pereira. Por convergências do destino, herdeiro de uma viúva rica que, além do patrimônio do primeiro marido, também tinha os bens de uma polpuda herança paterna. Sua mãe era Henriqueta Batalha. Seu avô, João Quirino Machado, capitalista em Santos. E o pai, Uriel dos Santos Gaspar, detentor de terras que mais se assemelhavam a uma sesmaria. A tudo isso agregou o dote da esposa, neta do rico Antonio Mendes da Costa. Viúva, Henriqueta levou para o segundo casamento três filhos do primeiro: Joaquim, Uriel e Ester. Ester morreu solteira ao redor dos 20 anos (em 28 de janeiro de 1904). Joaquim,…

Sem coluna

Desde a prisão no Rio

1 de novembro de 2021

No dia 2 de dezembro de 1932, preso no Rio de Janeiro  como um dos líderes da derrotada Revolução Constitucionalista de 9 de Julho, o médico Deodato Wertheimer escreveu de próprio punho, ao amigo mogiano Florêncio Paiva, a carta que segue,  hoje preservada por Maria Carmen, neta de Florêncio. “Meu caro e querido amigo Florêncio Em primeiro lugar o bem-estar dos seus e principalmente de D. Custódia, a quem pelo abraçar. Aqui ainda estou na Casa de Correição, depois de tirar o passaporte, com fotografia, impressão digital, qualificação e outros temperos mais. À última hora, porém, não sei por que motivo, e nem procurei saber, o meu nome foi riscado de candidato ao exílio. Mas, …talvez ainda torne para a luta e, então… rume para simpática e hospitaleira terra de Portugal. Agradeço-lhe imensamente a carta que…

Gente de Mogi

Se essa rua fosse minha

15 de outubro de 2021

Houvesse uma maquete da área central de Mogi das Cruzes e ela poderia brincar sobre as ruas como se fossem suas. Entraria pela do tio Deodato (Wertheimer) e iria até a do seu padrinho de batismo e avô Chiquinho (Coronel Souza Franco); passearia pela rua do pai (Leôncio Arouche de Toledo) e do vô Zeca (José Arouche de Toledo). Andaria pela rua da vó Henriqueta (Batalha Arouche). Ela é a professora Maria Leonor Arouche Ornellas. Reconhecida pela memória privilegiada, Doda – apelido de família que a acompanha desde criança – é capaz de, aos 91 anos de idade, enunciar a data do nascimento de cada um dos irmãos, irmãs, cunhadas, cunhados; de cada um dos sobrinhos. E, é claro, dos 4 filhos, suas esposas e maridos, dos 11 netos e 6 bisnetos. Matriculada na Escola Normal…

Mogi de A a Z

Tesouro preservado

16 de setembro de 2021

São volumes e mais volumes, preservados com cuidado, encadernados. Registram a história de Mogi entre abril de 1904 e março de 1945, período em que o mogiano Francisco Affonso de Mello, que a cidade conhecia como Chiquinho Veríssimo, dedicou-se ao jornalismo. As edições dos jornais “A Vida” e “O Liberal”, entregues ontem à guarda do Departamento do Patrimônio Histórico de Mogi, representam o mais valioso acervo transferido à posse pública desde que os arquivos do historiador Isaac Grinberg tiveram o mesmo destino. Chiquinho Veríssimo cuidou da coleção até sua morte, em 1984; em seguida, ela passou para sua filha, Myrian Mello Arouche de Toledo e, posteriormente, ao sobrinho José Roberto Mello. José Roberto cuidou de preservar a coleção, empenhando-se em trabalho de catalogação, elencando alguns dos principais fatos que marcaram a vida de Mogi das Cruzes…

Mogi de A a Z

A última sessão do Urupema

15 de setembro de 2021

A última vez que o vi foi na Rua Padre João, quase esquina com a Navajas. Caminhava devagar, as mãos postas para trás e vestia um paletó escuro, talvez marrom. Passou ao meu lado sem levantar a cabeça. Ainda lhe disse: “Boa tarde, seo Odilon”. Acho que ele não ouviu, não me lembro de ter-me respondido. Conheci-o pouco, por conta da amizade que Odilon de Mello Freire e meu pai cultuavam desde a juventude. Mas lembro-me bem da figura que poderia ser encontrada a qualquer momento nos escritórios do Cine Urupema, na Praça Firmina Santana. No tempo em que não havia caixa automático, metade da cidade socorria-se de Odilon para seus apertos: trocar um cheque com o homem  que administrava o Cine Urupema, propriedade de sua família, que chegou a ter três cinemas na cidade: o…