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Chico Ornellas

Mogi de A a Z

Tesouro preservado

16 de setembro de 2021

São volumes e mais volumes, preservados com cuidado, encadernados. Registram a história de Mogi entre abril de 1904 e março de 1945, período em que o mogiano Francisco Affonso de Mello, que a cidade conhecia como Chiquinho Veríssimo, dedicou-se ao jornalismo. As edições dos jornais “A Vida” e “O Liberal”, entregues ontem à guarda do Departamento do Patrimônio Histórico de Mogi, representam o mais valioso acervo transferido à posse pública desde que os arquivos do historiador Isaac Grinberg tiveram o mesmo destino. Chiquinho Veríssimo cuidou da coleção até sua morte, em 1984; em seguida, ela passou para sua filha, Myrian Mello Arouche de Toledo e, posteriormente, ao sobrinho José Roberto Mello. José Roberto cuidou de preservar a coleção, empenhando-se em trabalho de catalogação, elencando alguns dos principais fatos que marcaram a vida de Mogi das Cruzes…

Mogi de A a Z

A última sessão do Urupema

15 de setembro de 2021

A última vez que o vi foi na Rua Padre João, quase esquina com a Navajas. Caminhava devagar, as mãos postas para trás e vestia um paletó escuro, talvez marrom. Passou ao meu lado sem levantar a cabeça. Ainda lhe disse: “Boa tarde, seo Odilon”. Acho que ele não ouviu, não me lembro de ter-me respondido. Conheci-o pouco, por conta da amizade que Odilon de Mello Freire e meu pai cultuavam desde a juventude. Mas lembro-me bem da figura que poderia ser encontrada a qualquer momento nos escritórios do Cine Urupema, na Praça Firmina Santana. No tempo em que não havia caixa automático, metade da cidade socorria-se de Odilon para seus apertos: trocar um cheque com o homem  que administrava o Cine Urupema, propriedade de sua família, que chegou a ter três cinemas na cidade: o…

Mogi de A a Z

Lembrando uma vergonha

26 de agosto de 2021

Nem só de vitórias vive um povo, nem só de orgulho vive uma cidade. Pois hoje vamos recordar uma vergonha. Aquele que é, em definitivo, o “Dia da Vergonha” desta cidade. Foi em 24 de outubro de 1930. O dr. Deodato Wertheimer havia chegado a Mogi das Cruzes havia pouco mais de 20 anos. Viera para atender Josefina (Finóca, no apelido de família), filha do então prefeito Coronel Souza Franco. Deodato era um jovem e promissor médico carioca, assistente de conceituado clínico paulistano que se encontrava em viagem à Europa e, por isso, não pôde atender ao chamado do cliente antigo. A consulta celebrou uma aproximação familiar que nunca mais se desfez: alguns meses após, Deodato se casaria com Leonor, a filha mais nova de Souza Franco e marcaria uma presença histórica na Cidade. Com Leonor,…

Mogi de A a Z

Instituto Dona Placidina

1 de julho de 2021

Padre João Paulo da Silva tem 39 anos, foi ordenado há 8 e, por designação do bispo dom Pedro Stringhini, assumiu a presidência do Instituto Dona Placidina. É a mais antiga instituição de ensino privado de Mogi – beira 90 anos, sucessora do Colégio das Vicentinas. Tradicionalmente, a diretoria do Placidina sempre respeitou a Liberdade de Cátedra, prevista na Constituição. Pois padre João Paulo resolveu inovar: demitiu a diretora pedagógica, irmã Elena Ramos Bonfim, da Ordem de Santa Ursulina, que há mais de 50 anos responde pela orientação pedagógica do Instituto Dona Placidina. Talvez padre João Paulo não saiba, mas a presença das Ursulinas em Mogi deve-se ao trabalho do 1º bispo da Diocese (dom Paulo Rolim Loureiro), que correu à Itália em busca de substitutos à Congregação que havia deixado o Placidina ao léo. Padre…

Mogi de A a Z

IMPROBIDADE

1 de julho de 2021

O juiz Bruno Machado Miano, da Vara da Fazenda Pública de Mogi, acaba de pedir atenção do Ministério Público em ação que “pode constituir hipótese de improbidade administrativa” contra o prefeito Caio Cunha. O pedido consta de liminar em que Miano determinou a reintegração de funcionário público, afastado de cargo na Secretaria de Educação de Mogi. O juiz elenca vícios no ato que afastou o funcionário, o pior dos quais “a ausência de interesse público para a remoção”. Impõe multa de R$ 1 mil/dia em caso de desobediência, “sem prejuízo da apuração pela desobediência ao comando judicial”. A questão teve início em 11 de fevereiro deste ano, 40 dias após a posse de Caio Cunha. Escoltado por três policiais, o secretário de Segurança da Prefeitura, André Junji Ikari, dirigiu-se ao posto de trabalho do funcionário R.S.B.,…

Gente de Mogi

O trágico fim do senador e sua filha

22 de abril de 2021

Foi no dia 20 de janeiro de 1906. Embora impossível – e inconveniente – comparar tragédias familiares, aquela, decididamente, tem lugar de destaque entre as mais tristes dentre as havidas em São Paulo. Pela peculiaridade dos fatos e pelo destaque de seus protagonistas. Francisco de Assis Peixoto Gomide estava próximo dos 57 anos. Advogado, professor e político, foi governador (dizia-se presidente à época) de São Paulo e presidente do Senado estadual (equivalente hoje à Assembleia Legislativa). Naquele dia, vitimado por o que hoje, provavelmente, seria diagnosticado como uma depressão, matou a filha Sophia (22 anos) e se suicidou em seguida. São Paulo parou, surpresa, e entre as muitas coroas de flores enviadas ao palacete da família na Rua Benjamin Constant havia pelo menos duas de mogianos, com as faixa: “Ao dr. Peixoto Gomide, seus compadres José…