Mogi de A a Z

Tesouro preservado

16 de setembro de 2021

São volumes e mais volumes, preservados com cuidado, encadernados. Registram a história de Mogi entre abril de 1904 e março de 1945, período em que o mogiano Francisco Affonso de Mello, que a cidade conhecia como Chiquinho Veríssimo, dedicou-se ao jornalismo. As edições dos jornais “A Vida” e “O Liberal”, entregues ontem à guarda do Departamento do Patrimônio Histórico de Mogi, representam o mais valioso acervo transferido à posse pública desde que os arquivos do historiador Isaac Grinberg tiveram o mesmo destino.

Chiquinho Veríssimo cuidou da coleção até sua morte, em 1984; em seguida, ela passou para sua filha, Myrian Mello Arouche de Toledo e, posteriormente, ao sobrinho José Roberto Mello.

Cláudio Servo, representando a família Affonso de Mello, entregou a coleção de jornais a Ubirajara Nunes, do Arquivo Municipal.

José Roberto cuidou de preservar a coleção, empenhando-se em trabalho de catalogação, elencando alguns dos principais fatos que marcaram a vida de Mogi das Cruzes na primeira metade do século passado.

Foi este material que Ubirajara Nunes Pereira Souza, responsável pelo Arquivo Municipal, recebeu, ontem pela manhã, das mãos de Cláudio Servo, representante da família, de posse do termo de doação subscrito por Maria Lúcia Monteiro de Mello, viúva de José Roberto.

“A dedicação do primo José Roberto à história de Mogi e da própria família sempre nos cativou”, recordou Cláudio Servo. Ubirajara Nunes, ao receber o material, destacou o empenho da Prefeitura em preservá-lo e torná-lo de domínio público. Para isso, o Departamento do Patrimônio Histórico está em processo de aquisição de scanner capaz de digitalizar todo o acervo e disponibilizá-lo na internet.

Edição de “O Liberal”, parte da coleção entregue ontem ao Arquivo Municipal.

Instalado no Casarão da Coronel, como é conhecida a residência desapropriada e restaurada pela Prefeitura, o Muve – Museu Virtual da Educação acolhe, em anexo, o Arquivo Municipal. Seguindo técnicas arquivistas, se bem consultados, há documentos capazes de mudar a história de Mogi das Cruzes.

Edição de “A Vida”, parte da coleção entregue ontem ao Arquivo Municipal.

Um dos mais importantes, e antigos, data de 1728: é o Foral da Vila de Santana de Mogi das Cruzes, cópia fiel daquele assinado em 1º de setembro de 1611 e que reconheceu, como vila, o antigo povoado. Pois a cidade celebra como 1º de setembro de 1560 sua data de fundação, reunindo um ano (1560) em que, provavelmente, aqui não havia senão índios selvagens, a um dia (1º de setembro), este sim oficial.

Ali estão originais e cópias digitalizadas de centenas de fotografias. A “Coleção Família Affonso de Mello”, formada por 1.753 edições dos jornais  A Vida e O Liberal, é a primeira do gênero a permitir pesquisa cronológica completa. Ela inclui, por exemplo, reportagens sobre a Gripe Espanhola, que grassou entre 1918 e 1919 e foram abordadas por A Vida.

Ubiraja Nunes trabalha há cerca de 30 anos no Arquivo Municipal.

A presença de Mogi em campos da Itália durante a II Grande Guerra estão nas páginas de O Liberal, que circulou a partir de 1930.

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